Outubro Rosa – prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, doença que representa uma das principais causas de morte entre mulheres no mundo. No Brasil, essa campanha ganha força a cada ano, mobilizando governos, instituições de saúde e empresas para reforçar a importância do cuidado com a saúde.

Em 2025, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama no Brasil. Em 2023, foram registrados mais de 20 mil óbitos pela doença no país.

O câncer de mama costuma evoluir silenciosamente nos estágios iniciais. Quanto mais cedo for detectado, maiores as chances de tratamento e cura. Em estágios iniciais a taxa de cura pode atingir até 90–95 % ou mais. Já em estágios mais avançados, o tratamento tende a ser mais agressivo, com efeitos colaterais mais intensos e custos maiores (físicos, emocionais, financeiros).

Sinais e sintomas

Embora muitos casos iniciais não apresentem sintomas perceptíveis, alguns sinais merecem atenção. Se você notar qualquer uma das mudanças abaixo, procure um profissional de saúde:

  • Nódulo ou endurecimento na mama ou na axila
  • Alteração no formato ou no tamanho da mama
  • Recuo, retração ou inversão do mamilo
  • Secreção espontânea (líquido) pelo mamilo, especialmente se for sanguinolenta
  • Alterações na pele da mama — por exemplo, vermelhidão, aspecto de “casca de laranja”
  • Ferida ou lesão persistente na pele da mama
  • Dor localizada que não desaparece (embora dor isolada raramente seja o primeiro sintoma)

Importante: esses sinais não significam necessariamente câncer, mas são indícios que justificam investigação médica.

Prevenção

  • Prática regular de atividade física
  • Manutenção de peso corporal saudável
  • Dieta equilibrada
  • Limitar ou evitar consumo de álcool
  • Amamentação (quando possível)
  • Evitar tabagismo

Mesmo em casos de risco genético, a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico adequado podem auxiliar no monitoramento precoce e mitigação de risco.

Diagnóstico e exames

Para confirmar ou descartar a presença de câncer de mama, médicos especialistas utilizam uma sequência de exames.

O médico (ginecologista, mastologista ou cirurgião oncológico) faz exame clínico das mamas, nódulos e linfáticos:

  • Avaliação clínica/mastológica

Imagem – exames de rastreamento e diagnóstico:

  • Mamografia
    Realiza o rastreamento em mulheres assintomáticas. No Brasil, a recomendação habitual é entre mulheres a partir dos 40 anos, a cada dois anos.
  • Ultrassonografia de mama
    Recomendada especialmente em casos de mamas densas, avaliação de nódulos, ou em mulheres mais jovens. Não deve ser usada isoladamente para rastreamento regular.
  • Ressonância magnética de mama (RM)

Indicada em casos de alto risco (mutações genéticas, histórico familiar forte) ou quando outras imagens são inconclusivas. 

  • Biópsia

Se um nódulo ou alteração for suspeita, retira-se parte ou total da lesão para exame histopatológico, que define se há invasão, tipo celular, grau de agressividade e presença de marcadores hormonais (ex: receptores hormonais, HER2).

  1. Exames complementares para estadiamento
    Se confirmado câncer, pode-se solicitar exames como raio‑X de tórax, tomografia, cintilografia óssea, PET‑CT ou outros, para verificar se há metástases, dependendo do caso.
  2. Análises moleculares/imunohistoquímicas
    No material de biópsia, avalia-se presença de receptores hormonais (estrogênio, progesterona), HER2, índice de proliferação (Ki‑67) e outras características moleculares, que orientam o tratamento.

Tratamento

O plano terapêutico é individualizado e de acordo com o tipo de tumor, estágio, características moleculares e saúde geral da paciente. Estando entre as principais opções de tratamento:

  • Cirurgia: Remoção parcial (lumpectomia) ou total da mama (mastectomia), com ou sem esvaziamento axilar (remoção de linfonodos).
  • Radioterapia: Aplica-se para destruir células residuais após cirurgia, especialmente em casos de cirurgia conservadora.
  • Quimioterapia: Uso de medicamentos que atacam células cancerígenas em todo o corpo, principalmente em casos de maior risco ou já com disseminação.
  • Terapia hormonal / hormonoterapia: Utilizada quando o tumor expressa receptores hormonais, para bloquear a influência de hormônios no crescimento tumoral.
  • Terapia alvo / biológica / imunoterapia: Para casos em que o tumor expressa marcadores especiais (ex: HER2), são usados medicamentos específicos que atacam essas características.
  • Terapias adjuvantes e neoadjuvantes:

*Neoadjuvante: tratamento antes da cirurgia, para reduzir tumor e facilitar a operação.

*Adjuvante: tratamento após cirurgia (quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia) para reduzir risco de recidiva.

  • Cuidados de suporte: Envolvem manejo de efeitos colaterais, reabilitação física, apoio psicológico, nutrição, cuidados paliativos, quando necessário.

Exames de rotina são fundamentais, mas apenas um médico especialista (ginecologista, mastologista, oncologista) pode avaliar o nível de risco individual. O acompanhamento por profissional experiente reduz chances de erros, atrasos ou intervenções desnecessárias.

Ter acesso a um especialista permite:

  • Adequar o plano de rastreamento (quando começar, com que frequência)
  • Realizar diagnóstico com precisão (exames corretos, biópsias) 
  • Definir tratamento mais eficaz, com menor toxicidade 
  • Monitorar evolução, recidivas e efeitos colaterais 
  • Apoiar emocionalmente o paciente, com orientação adequada

A prevenção e o cuidado devem estar presentes durante todos os meses. Entender o funcionamento da doença, estar atento aos sinais, manter hábitos saudáveis e não adiar consultas médicas são atitudes que podem salvar vidas.

O diagnóstico precoce é uma das armas mais poderosas contra o câncer de mama — quanto antes agir, maiores as chances de sucesso no tratamento.

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